Guia de leitura

Livros sobre Alzheimer

Quem procura livros sobre Alzheimer chega por motivos muito diferentes: um diagnóstico recente na família, o cansaço de quem cuida, um clube de leitura. Nenhum livro serve para todos. Aqui eles estão organizados pelo que você precisa agora.

Publicado por Simran Mehta Atualizado em

Cover of The Forty-Year Passenger by Simran Mehta: cream serif lettering on deep oxblood, cut through by a lit train.

Deste site · Book Three

The Forty-Year Passenger

Edição em inglês

Se você está do lado de quem é esquecido, The Forty-Year Passenger é o livro deste site que trata disso. Abel Quist leva chá todas as manhãs a um irmão que não sabe mais que eles são parentes, e o romance pergunta o que devemos a quem deixou de nos reconhecer. Não é um livro médico: é ficção especulativa, passada num trem em que cada porta custa uma lembrança. Só existe em inglês, no Kindle e em papel.

Resposta rápida

Os melhores livros sobre Alzheimer em português são, para entender a doença por dentro, Para sempre Alice, de Lisa Genova; para quem cuida e para clubes de leitura, Onde está Elizabeth?, de Emma Healey. Na literatura brasileira, Diário da queda, de Michel Laub, é sobre um filho que tenta salvar a história da família enquanto o pai perde a memória. E o relato real que o Brasil inteiro leu é Ainda estou aqui, de Marcelo Rubens Paiva.

Antes de escolher

Há três tipos de livro nesta lista. Os que mostram a doença de dentro, pela voz de quem está esquecendo. Os que acompanham a família, e servem a quem cuida. E os que usam a perda de memória como forma, sem ser exatamente sobre Alzheimer, que é o que muita gente procura quando digita “livros sobre perda de memória”. Todos têm edição brasileira, e indicamos em cada um para quem ele pode ser pesado demais.

Para entender por dentro

  1. Para sempre Alice Lisa Genova

    Título original: Still Alice

    HarperCollins Brasil · 2019

    Alice Howland é professora em Harvard e está perto dos cinquenta quando começa a esquecer palavras e caminhos. O diagnóstico é Alzheimer precoce. O livro é narrado do ponto de vista dela, e a escrita vai mudando conforme a doença avança. Genova é neurocientista, e a precisão médica é o ponto forte. É o livro mais indicado para quem acabou de receber um diagnóstico na família e quer entender o que vem. Virou filme com Julianne Moore.

    Pule se
    o diagnóstico é recente e você ainda não quer ver o caminho inteiro; o livro não poupa.

    Conferido em: Skoob (HarperCollins, 2019), Skoob (Nova Fronteira, 2009)

  2. Onde está Elizabeth? Emma Healey

    Título original: Elizabeth Is Missing

    Record · 2016 · Trad. Bruna Beber

    Maud tem oitenta e poucos anos, vive cercada de bilhetes para lembrar das coisas e tem certeza de que a amiga Elizabeth desapareceu. Ninguém acredita nela. A busca se mistura com outro desaparecimento, o da irmã, Sukey, logo depois da Segunda Guerra. É um romance de mistério narrado por alguém cuja memória falha, e a repetição, que alguns leitores acham cansativa, é exatamente o retrato da doença. Ótimo para clubes de leitura.

    Pule se
    a repetição de cenas e perguntas incomoda você; ela é proposital e constante.

    Conferido em: Editora Record

Na literatura brasileira

  1. Diário da queda Michel Laub

    Companhia das Letras · 2011

    Aos quarenta anos, o narrador descobre que o pai tem Alzheimer e começa a escrever, antes que a memória do pai se vá, a história de três gerações: o avô sobrevivente de Auschwitz que mantinha um diário secreto, o pai, e ele mesmo, que aos treze anos participou de um episódio cruel numa festa da escola. É um livro curto, em fragmentos numerados, sobre o que uma família guarda e o que esquece. Um dos romances brasileiros mais importantes deste século.

    Pule se
    você procura um livro centrado na doença e no cuidado; aqui o Alzheimer é o gatilho, não o assunto principal.

    Conferido em: Companhia das Letras, Empório do Direito

  2. Leite derramado Chico Buarque

    Companhia das Letras · 2009

    Um homem centenário, numa cama de hospital, conta a história da família à filha, às enfermeiras e a quem quiser ouvir: dos antepassados portugueses ao bisneto no Rio de hoje, e a paixão por Matilde no meio de tudo. A memória dele embaralha gerações, repete e contradiz. O livro nunca dá um diagnóstico, mas é um dos retratos mais vivos em português de uma mente muito velha se desfazendo. Curto e com a ironia de Chico.

    Pule se
    você quer um livro explicitamente sobre Alzheimer; este é sobre velhice e memória, sem nome de doença.

    Conferido em: Companhia das Letras

Perda de memória, sem ser Alzheimer

  1. A fórmula preferida do professor Yoko Ogawa

    Título original: Hakase no aishita sūshiki

    Estação Liberdade · 2017 · Trad. Shintaro Hayashi

    Depois de um acidente, um matemático só guarda lembranças por oitenta minutos. A governanta contratada para cuidar dele, e o filho dela, precisam se apresentar de novo todas as manhãs. É o livro mais terno desta lista: um retrato de cuidado diário com alguém que não vai lembrar de você, sem tragédia nem sentimentalismo. Para quem cuida de alguém com demência, pode ser um consolo inesperado.

    Pule se
    você precisa de um livro realista sobre a doença; aqui a condição é ficcional e não progride.

    Conferido em: Estação Liberdade

  2. Ódio, amizade, namoro, amor, casamento Alice Munro

    Título original: Hateship, Friendship, Courtship, Loveship, Marriage

    Biblioteca Azul · 2014 · Trad. Cássio de Arantes Leite

    Nove contos da ganhadora do Nobel. O que interessa aqui é o que inspirou o filme Longe dela: Fiona, com a memória falhando, vai morar numa casa de repouso, e o marido, Grant, a vê se apegar a outro morador. Munro conta em poucas páginas o que romances inteiros não conseguem: o ciúme, a culpa e o amor de quem cuida, sem nenhum consolo fácil. Leia esse conto primeiro.

    Pule se
    você quer um livro inteiro sobre o tema; aqui é um conto entre nove.

    Conferido em: Skoob

  3. O gigante enterrado Kazuo Ishiguro

    Título original: The Buried Giant

    Companhia das Letras · 2015 · Trad. Sonia Moreira

    Aparece em quase toda lista sobre memória, e com razão, mas não é sobre Alzheimer. Axl e Beatrice, um casal de idosos na Britânia depois do rei Artur, vivem numa terra coberta por uma névoa que faz todos esquecerem, e partem em busca do filho de quem mal se lembram. É uma fábula sobre o que um casal e um povo precisam esquecer para conviver. Bonito e lento.

    Pule se
    você quer realismo; há cavaleiros, ogros e um dragão.

    Conferido em: Companhia das Letras

O relato real

  1. Ainda estou aqui Marcelo Rubens Paiva

    Alfaguara · 2015

    Não é ficção, mas é o livro sobre Alzheimer que mais brasileiros leram. Marcelo Rubens Paiva conta a história da mãe, Eunice, que criou cinco filhos sozinha depois que o marido, o ex-deputado Rubens Paiva, foi preso, torturado e morto pela ditadura em 1971, e que no fim da vida enfrentou o Alzheimer. É um livro sobre memória em dois sentidos: a da família e a do país. Deu origem ao filme de Walter Salles com Fernanda Torres.

    Pule se
    você procura um romance; este é um relato de não ficção, com muito da história política do Brasil.

    Conferido em: Companhia das Letras, PublishNews

Perguntas frequentes

O que os leitores perguntam

Qual é o melhor livro sobre Alzheimer?

Depende do motivo. Para entender a doença pela voz de quem a vive, Para sempre Alice. Para um romance que funciona também como mistério, Onde está Elizabeth?. Para literatura brasileira, Diário da queda.

O livro Ainda estou aqui fala sobre Alzheimer?

Sim. O livro de Marcelo Rubens Paiva conta a vida de Eunice Paiva, mãe do autor, e dedica uma parte importante ao Alzheimer que ela enfrentou nos últimos anos.

Quais livros falam sobre perda de memória?

Além dos livros sobre Alzheimer, A fórmula preferida do professor, de Yoko Ogawa (memória de oitenta minutos), e O gigante enterrado, de Kazuo Ishiguro (uma névoa de esquecimento coletivo).

Para sempre Alice é baseado em uma história real?

Não. É um romance, mas a autora, Lisa Genova, é neurocientista e construiu a progressão da doença com base em pesquisa.