Guia de leitura
Livros como A Biblioteca da Meia-Noite
Quem procura livros parecidos com o romance de Matt Haig quer uma de duas coisas: a premissa (e se eu tivesse escolhido diferente?) ou a sensação (um livro que devolve a vontade de viver). As listas costumam misturar as duas. Aqui elas estão separadas.
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The Train Between Worlds
Edição em inglês
Se o que ficou de A Biblioteca da Meia-Noite foi o lugar entre uma vida e outra, The Train Between Worlds começa exatamente aí: você acorda num trem sem nome e sem passado, com uma passagem que diz Destino: desconhecido, e cada vagão mostra uma realidade diferente. É mais estranho e menos consolador que Haig, e a pergunta não é que vida escolher, mas quem você decide ser quando não lembra quem foi. Atenção: o livro existe só em inglês, no Kindle.
Resposta rápida
Os melhores livros como A Biblioteca da Meia-Noite dependem do que prendeu você. Se foi a premissa das vidas que você poderia ter vivido, leia Matéria escura, de Blake Crouch, e depois Antes que o café esfrie. Se foi o consolo, leia Um homem chamado Ove e Os humanos, do próprio Haig. Para a versão brasileira da ideia, um morto revendo a própria vida, Memórias póstumas de Brás Cubas chegou 140 anos antes.
Por que as listas erram este livro
A Biblioteca da Meia-Noite virou o romance de ficção mais vendido do Brasil e continua nas listas anos depois. Nora Seed, 35 anos, desempregada e com o gato recém-atropelado, decide que não quer mais viver e acorda numa biblioteca entre a vida e a morte, onde cada livro é uma versão da vida dela: a glaciologista, a estrela do rock, a nadadora olímpica.
O livro é duas coisas ao mesmo tempo. Uma é um mecanismo de ficção especulativa com uma regra clara (você pode experimentar outra vida, e sai dela quando se decepciona). A outra é um livro de consolo, quase um abraço, sobre arrependimento. As listas de “livros parecidos” costumam recomendar só a segunda metade, e quem veio pela primeira sai frustrado. Por isso as escolhas abaixo estão em duas prateleiras.
A premissa: e se a vida tivesse sido outra
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Matéria escura
A versão thriller da mesma pergunta. Jason Dessen é professor de física em Chicago, casado, com um filho, e alguém o sequestra numa noite qualquer. Ele acorda num mundo em que não se casou com Daniela e virou o cientista brilhante que poderia ter sido. O livro é rápido, com capítulos curtos, e trata o multiverso como Haig trata a biblioteca: um jeito de testar se a vida que você tem é a que você quer. É a recomendação certa para quem gostou do mecanismo e queria mais tensão.
- Pule se
- você quer a calma e o tom de conversa de Haig; aqui é perseguição do começo ao fim.
Conferido em: Intrínseca
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Antes que o café esfrie
Num café de subsolo em Tóquio, uma cadeira permite voltar no tempo, com regras que ninguém pode quebrar: você não levanta, só encontra quem já esteve no café, nada do que fizer muda o presente e precisa beber o café antes que ele esfrie. Quatro clientes vão mesmo assim. Como Haig, é um livro sobre arrependimento com uma regra no centro, só que mais contido e mais triste. A quarta história é a que faz as pessoas chorarem.
- Pule se
- repetição incomoda você: as regras são explicadas a cada história, quase com as mesmas palavras.
Conferido em: Amazon.com.br
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Se os gatos desaparecessem do mundo
Um carteiro jovem descobre que tem pouco tempo de vida, e o Diabo aparece com uma proposta: a cada coisa que ele fizer desaparecer do mundo, ganha mais um dia. Telefones, filmes, relógios, e então os gatos. É curto, lê-se numa tarde, e faz com a barganha o que Haig faz com a biblioteca: obriga o personagem a descobrir o que realmente importa na vida que ele já tem. Mais melancólico e mais estranho que o original.
- Pule se
- você quer um romance com enredo movimentado; este é uma fábula de poucas cenas.
Conferido em: Editora Record
A sensação: livros que devolvem a vontade de viver
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Um homem chamado Ove
Ove tem 59 anos, é viúvo, rabugento e convicto de que ninguém mais sabe trocar um pneu. Quando os vizinhos novos derrubam a caixa de correio dele com o caminhão da mudança, a vida organizada que ele já tinha decidido encerrar começa a ser invadida. É o parente mais próximo de Haig na emoção: um livro sobre alguém que não quer continuar e sobre as pessoas que, sem saber, o impedem. Engraçado, depois devastador, depois engraçado de novo.
- Pule se
- você quer algo especulativo; aqui não há nada de mágico, só vizinhos.
Conferido em: Skoob, Amazon.com.br
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Os humanos
Se você quer mais Haig, comece por aqui. Um extraterrestre frio e lógico assume a identidade de Andrew Martin, matemático de Cambridge, com a missão de apagar uma descoberta perigosa. Aos poucos, vinho, poesia, rock e o cachorro da família vão corrompendo a missão. É o mesmo projeto de A Biblioteca da Meia-Noite (convencer o leitor de que a vida imperfeita vale a pena) contado de fora para dentro, com mais humor.
- Pule se
- o tom de lição de vida de Haig já cansou você no primeiro livro; aqui ele é ainda mais explícito.
Conferido em: Editora Record
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A vida impossível
O romance mais recente de Haig publicado no Brasil. Grace Winters, professora de matemática aposentada, viúva e parada no sofá, herda uma casa velha em Ibiza de uma antiga colega, e o que encontra lá não é explicável. O livro é contado como uma longa carta a um ex-aluno que está no fundo do poço. Tem o mesmo motor de A Biblioteca da Meia-Noite, luto e culpa empurrados por um acontecimento impossível, com uma protagonista mais velha.
- Pule se
- você prefere as regras claras da biblioteca; aqui o elemento fantástico é mais vago.
Conferido em: Editora Record
A versão brasileira, e o livro que todo mundo vai indicar
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Memórias póstumas de Brás Cubas
Um defunto que resolve contar a própria vida depois de morto, capítulo por capítulo, com ironia e sem pena de si. É a ideia de Haig virada do avesso: Brás Cubas também revê as escolhas que fez, mas em vez de se arrepender, faz o balanço com humor ácido e chega a uma conclusão bem menos consoladora que a de Nora. Se você leu na escola por obrigação, vale reler agora que a pergunta “e se eu tivesse vivido diferente?” tem outro peso.
- Pule se
- você quer um livro que termine com esperança; Machado não oferece essa gentileza.
Conferido em: Companhia das Letras
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A vida invisível de Addie LaRue
Na França de 1714, Addie faz um pacto para viver para sempre, e o preço é que todos a esquecem assim que ela sai do campo de visão. Trezentos anos depois, em Nova York, alguém lembra dela. É o livro que vão indicar para você depois de Haig, e faz sentido: também é sobre uma vida que se repete e sobre deixar uma marca. Mas é um romance longo e romântico, mais próximo da fantasia do que da fábula curta de Nora.
- Pule se
- você gostou de A Biblioteca da Meia-Noite justamente por ser curto; este tem mais de quinhentas páginas.
Conferido em: Editora Record
Perguntas frequentes
O que os leitores perguntam
Qual livro ler depois de A Biblioteca da Meia-Noite?
Se você gostou da ideia das vidas paralelas, Matéria escura, de Blake Crouch. Se gostou do conforto, Um homem chamado Ove, de Fredrik Backman. Os dois têm edição brasileira.
Quais livros são parecidos com A Biblioteca da Meia-Noite e Antes que o café esfrie?
Os dois são fábulas sobre arrependimento com uma regra no centro. Se os gatos desaparecessem do mundo, de Genki Kawamura, fica exatamente entre eles. Há mais opções no nosso guia de livros parecidos com Antes que o café esfrie.
Matt Haig tem outros livros parecidos com A Biblioteca da Meia-Noite?
Os mais próximos são Os humanos, sobre um extraterrestre que aprende a gostar da vida na Terra, e A vida impossível, sobre uma professora aposentada que herda uma casa em Ibiza. Ambos saíram pela Record.
A Biblioteca da Meia-Noite é um livro triste?
Começa num momento muito escuro: Nora decide morrer, e o livro trata disso de frente. O caminho, porém, vai em direção à esperança. Se o tema de suicídio for sensível para você, leia sabendo disso.
